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LIBERDADE DE IMPRENSA

 

Quando a constituição americana foi elaborada — feita em 1789, subsiste há mais de 200 anos —, prescreveu em sua primeira emenda, extraída do Bill of Rights, ser a liberdade de imprensa essencial à democracia, pois, uma vez que os deputados tinham imunidade parlamentar, era necessário que o povo também tivesse liberdade para que pudessem dizer o que quisessem, ou seja, criticar o governo como um direito inalienável e básico para o funcionamento do regime democrático.

Assim, o povo teve na imprensa o seu grande instrumento para vigiar a democracia, exercendo livremente a liberdade de manifestar sua opinião. Isso fez com que naquele tempo a liberdade de imprensa fosse exercida livremente nos jornais impressos, em prelos de madeira, e hoje se tornou — com a expansão possibilitada pela tecnologia e o desenvolvimento das mídias, abrangendo imprensa, televisão, rádio e todos os instrumentos que a internet hoje possibilita — não mais como uma manifestação coletiva, mas como um direito individual exercido em blogs, Whatsapp, sites, vlogs, entre outros — e não sabemos até onde no futuro alcançará essa expansão.

Eu tenho muito respeito pela imprensa e pela mídia em geral, pois estudioso de sua liberdade. Tive oportunidade que o destino me deu de exercer, como jornalista, todos os escalões de sua estrutura. Comecei em O Imparcial, no Maranhão. Fui o chamado “Foca”, experiência que vivi durante dois anos, visitando as delegacias de polícia, todos os dias e, ao percorrê-las, pinçar os fatos criminais ali registrados e, através desse registro, procurar vítimas e autores para abastecer nossas redações. Depois, por avaliação interna, fui repórter de redação, nomenclatura essa que desapareceu, chegando a secretário de redação. Através do jornalismo, pude exercer minha vocação intelectual e literária.

Por iniciativa minha, o jornal criou seu suplemento literário, onde eu podia também exercer minha vocação literária, publicando crônicas, rodapés de críticas, poesias, dando apoio ao movimento chamado “neomodernista”, que então surgia, depois de 1945 nos Estados brasileiros, significativamente, em suplementos literários. Esse movimento desejava ser a continuidade da Semana de Arte Moderna de 1922, o grande movimento literário. Correspondíamos com todos: no Rio Grande do Sul, com a Revista Quixote, vamos fazer barbaridade, editada por Raimundo Faoro, que depois veio a ser o grande jurista referência nacional e um dos lutadores contra o regime autoritário. No Rio de Janeiro, Ledo Ivo, que também chegou à Academia, com a revista Branca.

Eles seguiam, no Ceará, no Correio do Ceará e depois nas revistas Clã; no Paraná, Joaquim; na Região, em Pernambuco, por iniciativa de Edson Régis e no Diário de Pernambuco, cujo suplemento era coordenado por Mauro Mota, também grande poeta, membro da Academia Brasileira de Letras — tive a honra de ser votado por ele quando fui escolhido para aquela Casa, na vaga de José Américo de Almeida, cadeira 38, sendo hoje o decano da própria Academia. No Maranhão, Tribuzzi, Lago Burnett, Carlos Madeira (que chegou a ministro do Supremo Tribunal Federal), Luci Teixeira, eu, e um grupo de pintores, formado por Floriano Teixeira, que depois mudou-se para a Bahia, onde foi ilustrador dos livros de Jorge Amado; Almeida, Paiva e todo o grupo de jovens intelectuais que se reuniam na Movelaria Guanabara, em São Luís. Esse grupo também pensava que o Maranhão não podia ficar somente na área literária, mas teria que romper o atraso em que se encontrava, cabendo, por minha personalidade política, ser o líder dessa vertente, que me levou à Presidência da República.

A imprensa livre, por consequência, a mídia e todos os meios de comunicação, têm um poder criativo que pode, a qualquer tempo, retificar, fazer uma releitura, como eu já disse, dos seus excessos. O coração da Democracia é a liberdade: a liberdade de opinião como o coração da Democracia.

Imirante, 04/04/2025